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Doze exposições abordaram o tema “O Tempo e o Medo”

O tema deste ano do FOLIO – Festival Literário de Óbidos, “O Tempo e o Medo”, norteou as doze exposições que fizeram parte da programação e que estiveram patentes em vários espaços da vila.

O Museu Municipal de Óbidos recebeu a exposição “O Medo dos Medos no Tempo”, onde as obras clássicas do acervo do Museu Municipal estabeleceram uma abordagem dialogante com outros artistas contemporâneos (Catarina Leitão, Cristina Ataíde, Ivo Andrade, José Aurélio, Marta Soares, Rafaela Ferreira, Samuel Rama e Sebastião Casanova). “Procurámos, na região Oeste, obras de arte que pudessem integrar este projeto”, referiu Ana Maria Calçada, da rede de museus e galerias de Óbidos. Em três salas deste espaço estiveram expostas diversas intervenções que fizeram esse diálogo com as obras existentes. Por exemplo, o escultor José Aurélio fez uma intervenção na estátua de São Sebastião, “devolvendo-lhe” as setas e o resplendor que faltavam nesta peça. Com o nome “A Razão não tem Medo”, pretendeu demonstrar que, acreditando em algo, não se tem medo. “A história do São Sebastião materializa muito bem o tema deste FOLIO. Na estátua ele está todo cravejado de setas, mas mantém um ar feliz porque acredita na sua razão”, explicou o escultor. O Museu Abílio [de Mattos e Silva] recebeu uma exposição inédita, intitulada “Quem protesta tem Medo”, criada para o FOLIO por José Pacheco Pereira e Ana Maria Calçada, da Arquivo Ephemera. Foram apresentados um conjunto de 100 “t-shirts” e camisolas com palavras de ordem, dos mais variados temas (do feminismo, à política partidária, de todos os quadrantes). O acervo foi, entretanto, enriquecido com algumas ofertas de visitantes. A exposição “Pop Up Bookstore”, na Residência Criativa André Reinoso, apresentou uma série de trabalhos desenvolvidos pelos estudantes da licenciatura em Design de Ambientes da ESAD.CR. “O desafio foi a de criarem, numa memória descritiva e em maquete, um produto que fosse uma livraria temporária para visitar uma determinada obra”, explicou Ana Maria Calçada. Na exposição coletiva de fanzines (pequenas revistas), que se podia encontrar entre o Auditório da Casa da Música, a Residência José Joaquim dos Santos e a Casa Saramago, apresentava-se “uma linguagem e forma de agir que se prende com o grande tema do FOLIO”. Na Casa do Pelourinho, pôde ser visitada a exposição das “máquinas” para resolver problemas do mundo, idealizadas por crianças do projeto MyMachine Portugal. Um engenho para ver a lua foi uma das propostas apresentadas, no âmbito deste projeto educativo que desafia as crianças a materializarem as suas ideias. Em Portugal, Óbidos foi pioneiro no desenvolvimento deste projeto, há cinco anos, através do Parque Tecnológico de Óbidos. Havia também uma mostra de trabalhos dos estudantes da licenciatura em Design de Produto – Cerâmica e Vidro da ESAD.CR, no Centro de Design de Interiores, com um formato pouco ortodoxo e que pretendia refletir sobre o tempo e sobre a utilização dos objetos. Na Capela de São Martinho foi apresentado um trabalho desenvolvido por Sara Vaz e Marco Balesteros, com música Diogo Alvim. Esta é uma investigação, sob a forma de cinco ensaios, que tem como ideia base o jogo de duplo sentido contido na palavra caractere. Fizeram ainda parte da programação outras exposições paralelas ao tema central e a Mostra de Ilustração Para Imaginar o Mundo (PIM), na Galeria Nova Ogiva, no âmbito do FOLIO Ilustra.

23-10-2019

Fonte: https://jornaldascaldas.com/Doze_exposicoes_abordaram_o_tema_O_Tempo_e_o_Medo

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